:: THEOTONIO DA SANTA CRUZ
OLIVEIRA e seus homônimos

Autógrafo de
Theotonio Santa Cruz Oliveira, com data de 1911. Pode pertencer ao
(2), ao (3) ou a outro Theotonio, ainda não identificado pela
Pesquisa.
1. THEOTONIO DA SANTA CRUZ
OLIVEIRA, o primeiro com esse sobrenome SANTA CRUZ que aparece nos
documentos e livros consultados. Em Correntes, em 1830, registra
como seu filho e de Maria Francisca de Jesus ao Theotonio seguinte.
2.
THEOTONIO DA SANTA CRUZ OLIVEIRA, filho de [1], nascido em 1830.
3.
THEOTONIO DA SANTA CRUZ OLIVEIRA, “seu Santos”, nascido em
Monteiro-PB, filho de João da Santa Cruz Oliveira e neto de [1],
nascido por volta de 1875 e falecido em 1920.
4.
THEOTONIO DA SANTA CRUZ OLIVEIRA FILHO, filho de [3], nascido em
1921 e falecido em 1996 em Campina Grande-PB.
5.
THEOTONIO DA SANTA CRUZ OLIVEIRA, filho de Petronillo, neto de
[1], nascido em 1916, falecido na década de 1980.
6.
THEOTONIO DA SANTA CRUZ OLIVEIRA, vivo na época atual, vice-cônsul
brasileiro em Tabatinga-AM (não sei ainda como ligá-lo à família).
7.
TEOTÔNIO SANTA CRUZ MONTENEGRO, filho de Maria, neto de [3],
médico pediatra vivendo atualmente em João Pessoa-PB.
8.
TEOTÔNIO SALGADO DE OLIVEIRA VASCONCELOS, neto de [1], meu bisavô,
nascido em 1864 e falecido em 1935.
Nome e
sobrenome - por Clotilde Tavares
(Artigo
publicado n'A União, João Pessoa-PB)
1. Nome
Nome tem moda.
Na década de 1960, no Brasil, eram muitas as crianças batizadas de
Soraya, em alusão à bela esposa do Xá Rheza Pahlevi, que havia
sido repudiada por não ter conseguido dar um herdeiro ao trono. A
história, carregada de pinceladas românticas, foi largamente
divulgada na imprensa, acarretando um avalanche de meninas assim
chamadas. A atriz Leila Diniz também inaugurou a tradição das
Janaínas, dando à sua filha este nome, de uso inusitado, pois era
um dos nomes de Iemanjá, usado apenas na religião africana. Os
atores de televisão são outros que determinam moda, e me lembro
muito bem do interminável desfile de Lucélias e Elisangelas que
passavam pelo serviço de pediatria no qual trabalhei no final da
década de 1970.
Na colonização
do Nordeste era comum batizar os filhos de Pantaleão, Manuel,
Joaquim, José, João, Anna, Catarina, Josepha, e outros bons e
sólidos prenomes portugueses. O nome do santo do dia era sempre
uma boa opção.
Quando
estudamos os troncos familiares, notamos a repetição de
determinados prenomes, que terminam por caracterizar esses grupos.
Existem famílias que têm preferências por determinados prenomes, e
muitos dos seus membros, geração após geração, são assim
batizados.
No ramo Santa
Cruz da minha família, repetem-se insistentemente os prenomes
Teotônio, Júlio, Petronilo, Arthur, Rodolfo. No ramo Salgado, que
tem origem no tronco Santa Cruz, encontramos Julio, Esperidião,
Ivo, Rodolfo.
Os prenomes
iguais ensejam a criação de homônimos, que são pessoas com mesmo
nome e sobrenome, fonte de enorme dor-de-cabeça para os
genealogistas, uma vez que as pessoas recebiam o nome de um avô,
pai ou tio, sem acrescentar “Neto”, “Filho” ou “Sobrinho”. Então,
para distinguir um do outro é indispensável recorrer a outros
dados, como nome dos pais ou datas de nascimento. Mas, se causam
confusão, também podem servir de pistas importantes para
identificar uma linhagem familiar, rastreando prenomes que se
repetem naquela mesma família.
2. Sobrenome
A maioria das pessoas – e eu inclusive até
certo tempo atrás – pensa que os sobrenomes obedecem todos a um
determinado padrão, que inclui cada pessoa ter dois sobrenomes: o
da mãe, que vem primeiro, e o do pai, que vem depois. Ao casar, a
mulher troca o sobrenome do pai pelo do marido, conservando,
tradicionalmente o sobrenome da família da mãe e perpetuando dessa
forma a sua linhagem materna. Pelo menos era assim que era feito
na nossa família, e com a maioria das pessoas que eu conhecia(1).
Sei também que hoje em dia a mulher somente aceita o sobrenome do
marido se quiser, mas isso é uma coisa moderna e nunca esperei
encontrar isso no nome dos antepassados.
Logo descobri
que a coisa era muito diferente. Estudando os nomes daqueles que
vieram antes de mim, descobri que as pessoas usavam o sobrenome
que queriam e entendiam, que mudavam esse sobrenome ao sabor dos
acontecimentos, que sobrenome de homem geralmente era o sobrenome
da família mas as mulheres recebiam sobrenomes do tipo Fulana
Maria da Conceição, ou Sicrana do Espírito Santo, de Jesus, do
Amor Divino e por aí vai.
Numa mesma
prole, ou seja, num mesmo conjunto de irmãos, os sobrenomes
poderiam ser diferentes uns dos outros. Usava-se o sobrenome para
homenagear parentes, padrinhos ou pessoas importantes. Usava-se um
sobrenome para identificar o local de onde as pessoas eram
originárias. Incorporava-se um apelido ao sobrenome.
E o curioso, e
mais importante, é que isso era feito ao bel-prazer do
interessado, num tempo em que não havia carteira de Identidade,
CPF ou título de eleitor. Ainda me lembro de uma época quando,
recém-formada, trabalhei no interior do Rio Grande do Norte, no
final da década de 1970, e perguntava muitas vezes às mulheres, no
ato da consulta, como se chamavam. Muitas respondiam simplesmente:
– Maria...
– Maria de quê?
– eu queria saber.
– Maria só,
mesmo... – aí, ela pensava um pouco. – Bote Maria do Grotão, que é
onde eu moro; aí, “os pessoal” fica sabendo quem é.
Ou então:
– Bote aí Maria
de Zeca, que é meu marido...
Em nossa casa,
em Campina Grande, havia uma família que prestava serviços à minha
mãe, e que eram descendentes de escravos, vindos da região do Congo, no
Cariri Paraibano. Ele era pedreiro e chamava-se João Congo (porque
era do Congo); a esposa, Severina, era Severina de João Congo. A
filha Maria, que veio morar lá em casa ainda novinha, era Maria de
Severina de João Congo. E ainda hoje chamo sua filha Deise de
“Deise de Maria de Severina de João Congo”.
É um hábito
muito comum no Nordeste, e cada um dos nordestinos que me lêem
conhece situações semelhantes.
Antes da
proclamação da República não havia registro civil, e essa função,
de registrar os eventos vitais principais dos indivíduos como
nascimento, morte e casamento era de responsabilidade da igreja,
que para isso se organizava. A criança nascia, e era levada para
batizar, sendo o ato religioso registrado de forma manuscrita em
um livro segundo uma fórmula mais ou menos assim:
Aos tantos dias do mês tal do ano tal na Capela de Tal lugar, batisei
solemnemente a Fulano
(sem sobrenome), de tantos dias (ou meses, sem informar a data
do nascimento), filho legitimo (ou filho natural, quando os
pais não eram casados) de Fulano de Tal e Sicrana de Tal,
moradores nesta Freguezia. Foram padrinhos Fulano e Beltrana. (E
vinha a assinatura do padre).
Depois, quando
as crianças iam crescendo, seus sobrenomes iam se organizando,
conforme os desejos e vontades dos pais, padrinhos ou familiares,
ou do próprio indivíduo já adulto, sem obedecer a qualquer regra.
Um caso exemplar é o chamado “os 20 de
Pesqueira”, como ficaram conhecidos os vinte filhos do capitão
Joaquim Inácio de Siqueira, casado com Maria José de Jesus
Cavalcanti. Viveram na cidade Pesqueira, Pernambuco, e toda a
prole de doze homens e oito mulheres alcançaram alto conceito e se
uniram a outras famílias importantes da região. Os filhos, que a
rigor deveriam ter todos o mesmo sobrenome, no caso “Siqueira
Cavalcanti”, como assim se chamam os primeiros, vão aos poucos
incorporando outros sobrenomes como “Coelho”, “Bezerra”, “Pessoa”
e “Lins da Rocha”, sobrenomes esses pescados aleatoriamente na
rede de antepassados.(2)
Havia ainda os
sobrenomes inventados. Os movimentos nativistas, de libertação do
domínio português, ensejaram que nomes indígenas, “brasileiros”,
fossem incorporados aos nomes de clãs nobres da época, assim
surgindo as famílias Buriti, Jurema, Gitirana, Araripe, Suassuna,
Brasileiro, Pernambucano e muitas outras.
A gênese dos sobrenomes é variada. Quem mora
no Nordeste, conhece a família Tejo, cuja origem não tem nada a
ver com o belo rio que banha a capital de Portugal. Sua origem se
deve ao Padre Renovato Pereira de Castro, descendente do capitão
Antonio Farias de Castro, um dos fundadores de Cabaceiras-PB. O padre
foi Deputado Provincial, senador pela província de Pernambuco,
poeta, inteligente, versátil. Por ter a pele coberta de sardas,
deram-lhe o apelido de “tejo”, em alusão ao tejuaçu, lagarto de
pele pintalgada. O padre Renovato incorporou então o apelido ao
nome e seus irmãos o seguiram, adotando o sobrenome para a
descendência.(3)
Lourdes Ramalho, no seu livro “Raízes
Ibéricas, Mouras e Judaicas do Nordeste”, conta uma história
engraçada. O tema do livro é a história da descendência de João
Nunes da Costa, que se estabeleceu em Santa Luzia do Sabugi, na
Paraíba, vindo ele de Pernambuco, casando na Ribeira de Patos com
Tereza Maria de Jesus. Um dos seus filhos, Alexandre Nunes da
Costa, desgostoso com a família, mudou-se para outra localidade e
mudou também o nome para Alexandre de Souto Quaresma. Para
completar, seus filhos usavam o sobrenome Correia.(4)
Os casos são
inúmeros e bem documentados na História e na Literatura.
2. MACIEL, José de Almeida.
Pesqueira e o velho termo de Cimbres. Recife, Centro de
Estudos de Historia Municipal, 1980. p. 143
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