Os descendentes de Pedro Quirino Ferreira e
Inez Santa Cruz Ferreira, todos eles, são devedores desta mulher,
tia Adiza, ou simplesmente "Tia", cuja dedicação à família foi a
motivação mais importante da sua vida. Não houve filha mais
dedicada, irmã mais compreensiva, cunhada mais prestimosa e tia
mais generosa, boa, dadivosa, sempre gastando o que tinha e o que
não tinha para ajudar qualquer um do seu sangue que estivesse em
dificuldades. Por causa dessa dedicação sempre colocou em segundo
plano sua vida pessoal e, depois de longo noivado, desistiu do
casamento para se dedicar a quem precisava dela: irmãos e
sobrinhos.
Numa época em que as mulheres só se
realizavam através da maternidade e da dedicação aos maridos,
Adiza trabalhou no comércio em escrituração contábil, tendo
começado ainda na década de 1940 em Ottoni & Cia., em Campina
Grande, e depois em uma firma de exportação de couro, Armando Lobo
& Cia. A partir dali, quando a firma fechou, trabalhou com João
Ferreira Torquato no escritório de contabilidade deste, até
aposentar-se.
Morou com a irmã Cleuza a partir de 1947 e a
ajudou na criação dos filhos, mas sempre foi devotada a todos os
sobrinhos. Era presbiteriana, mas nunca impôs a ninguém a sua
crença, cantando os hinos com bela voz de soprano. Na cozinha
mostrava seu talento na pamonha, na canjica, no puxa-puxa, nos
bolos e doces, que só ela sabia como dar o ponto. Seu prazer era
chegar em casa à noite, depois do trabalho, e deitar-se numa rede,
embalando-se com os sobrinhos, enquanto cantava; e quando ia
balançar a rede para um deles dormir, inventava cantigas especiais
para cada um, cantigas até hoje lembradas.
Sob a sua ficha
genealógica tive que escrever "sem descendência", pois não teve
filhos. Mas aqui quero registrar toda a rica descendência de Amor
com que, inesgotavelmente, nos nutriu a todos.