| CULTURA
PARA TODOS
por Silvio Crespo
O Ministério da Cultura
formulou até agora pelo menos cinco propostas concretas para
a reformulação do sistema federal de financiamento da cultura,
que começam a ser discutidas com outros setores do Governo e também
com o Poder Legislativo. As cinco propostas procuram concretizar o que
o MinC acredita ser os anseios da sociedade civil, definidos em 11
tópicos gerais (confira lista abaixo). O debate se iniciou
ontem com um grupo de senadores influentes, na casa de Roseana Sarney
(PFL-MA) (saiba mais).
A principal novidade é
uma parceria do Governo com empresas na elaboração de
editais para seleção de projetos. A idéia é
que o MinC faça um levantamento estatístico, dentro
de cada área cultural, para identificar os segmentos e regiões
que mais necessitam de investimentos, e assim definir prioridades.
Em seguida, o Ministério
deve elaborar editais, junto com empresas interessadas em financiar
os setores considerados prioritários, para selecionar os projetos.
Assim, se o MinC considerar
prioritário, por exemplo, restaurar o centro de determinada
cidade, será aberta uma espécie de licitação
para selecionar os melhores projetos de restauração.
O custo será financiado por empresas, com dinheiro parcialmente
incentivado.
Limites para fundações
Outra proposta é a limitação do financiamento de institutos
culturais vinculados diretamente a empresas, como o Centro Cultural
Banco do Brasil
E o Itaú Cultural,
entre outros. O MinC propõe que as empresas possam continuar
utilizando incentivo fiscal para manter suas fundações, mas
desde que invistam também uma cota (ainda não definida) em
projetos culturais independentes.
Fim dos 100% de abatimento
Uma das propostas mais polêmicas
é a de acabar com a possibilidade de a empresa abater do Imposto
de Renda 100% do dinheiro investido em patrocínio de projetos culturais.
De um lado, artistas e produtores afirmam que é muito difícil
obter financiamento, mesmo com esse incentivo. De outro, argumenta-se
que isso não incentiva o investimento privado.
Novo "Cultura para Todos"
Em 2003, foi reduzida a
desigualdade regional de distribuição dos investimentos em
cultura (leia mais). Segundo o diretor de Fomento e Incentivo à
Cultura do MinC Sérgio Xavier, teria contribuído para essa
redução a série de seminários "Cultura para
Todos", em que o Ministério foi a 14 cidades, de todas as
regiões, para discutir com a sociedade civil questões
relativas às leis de incentivo. Com isso, afirma Xavier, informações
sobre os benefícios dessas leis chegaram a regiões tradicionalmente
menos favorecidas, incentivando o seu uso por empresários e
produtores culturais locais.
Agora, o MinC estuda a realização
de um novo Cultura para Todos, desta vez para "prestar contas à
população, explicar o que mudou, apresentar resultados...",
explica Xavier, e continuar discutindo mudanças no modelo de
financiamento. O evento ainda não tem data marcada.
"Controle de qualidade" O
MinC defende também a criação de um grupo de especialistas
para acompanhar mais de perto a "qualidade" dos projetos culturais financiados
por leis federais de incentivo. Xavier garante que não haverá
dirigismo e a comissão não analisará o conteúdo
dos projetos: "a liberdade de expressão é sagrada". "Quando
eu falo em 'qualidade', falo da qualidade da produção,
[...] sem entrar no mérito", explica.
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Os 11 mandamentos* Em 11
itens, o MinC resume, em linhas bastante gerais, o que a sociedade
civil reivindicou nos seminários "Cultura para Todos". Segundo o
Ministério, os tópicos são as bases para as mudanças
específicas propostas.
1. Foco nas demandas prioritárias
do país
2. Desconcentração
do acesso aos recursos
3. Democratização
do acesso aos produtos e bens gerados
4. Melhoria na qualidade
dos projetos e produtos
5. Contribuição
para o fortalecimento das cadeias produtivas
6. Ocupação,
emprego e renda
7. Facilidades e apoio aos
pequenos empreendedores culturais
8. Melhor acompanhamento
de projetos e controle dos recursos
9. Desburocratização
(Cadastro Único) e melhoria dos instrumentos de gestão
10. Correção
de distorções e privilégios de grandes patrocinadores
11. Sintonia com resultados
do seminário "Cultura para Todos" e com o
12. Programa "Imaginação
a serviço do Brasil", da campanha do presidente Lula
*Fonte: Ministério
da Cultura
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